sexta-feira, 9 de abril de 2010

A diplomática de Shutter Island



Em pleno período pós-Segunda Grande Guerra, no ápice da ebulição da Guerra Fria, em 1954, dois agentes da Polícia Federal começam a investigação acerca do desaparecimento de uma das internas de um hospital psiquiátrico, situado na ilha Shutter. A partir daí se desenrola uma série de acontecimentos aparentemente conspiratórios e que atrapalham a saída dos investigadores da tal "Ilha do medo".



No primeiro momento temos a impressão de que estamos diante de um enredo extremamente pesado, até que Scorcese nos convida a entrar no surrealismo do filme por intermédio da mistura ácida entre a fantasia e a realidade dos sonhos do agente Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio). Mergulhamos num imbróglio de sensações, com a nítida impressão de que o aclamado diretor nos coloca no cerne das alucinações do personagem principal da obra.



Sabemos que até o presente momento vocês devem estar se perguntando: "o que o filme ter a ver com a Diplomática?". Então vamos aos fatos.



Em certo ponto do filme são apresentados documentos que inserem o espectador na trilha da investigação. E o entendimento da função destes documentos no contexto do filme é crucial para o desfecho do caso. Somos convidados a interpretar a relação destes registros com os acontecimentos da história.



Justamente nesse ponto podemos debater alguns tópicos relacionados ao que foi visto dentro da disciplina. Os documentos apresentados pelo diretor no decorrer da história são os seguintes:



a) "Bilhetinho" encontrado embaixo do piso, no quarto de internação;



b) Um documento que revela algo sobre um novo integrante da "Ilha do medo";



c) As fotos de algumas crianças.



Podemos discutir os conceitos de autenticidade e veracidade destes registros à luz da análise diplomática e tipológica, ainda mais com esse excelente misto de realidade e fantasia. Além disso, é viável questionar se os documentos apresentados podem ser considerados como objeto de arquivo. Por isso, os seguintes questionamentos podem vir à tona:



a) Os documentos são considerados de arquivo? Por quê?



b) Quem são os produtores dos documentos?



c) Que elementos podem atestar a autenticidade e veracidade dos registros?



d) Qual a função (análise tipológica) destes documentos no contexto da história?



e) Que nome poderíamos dar para esses documentos, caso fôssemos organizar o arquivo do hospital psiquiátrico?



Vale lembrar que são apenas reflexões importantes feitas no momento em que estamos vendo o filme. Quem quiser postar algo PODE ficar a vontade. Esse texto os convida tanto à reflexão em termos diplomáticos quanto à curiosidade em assistir ao novo filme do tão aclamado Scorcese. Então, o que você está esperando? Confira o nosso colega Fred (http://www.fredburlenocinema.com) analisando o movie. Corra!



7 comentários:

  1. Só lembrando que o Fred Burle também é arquivista. Fred, adorei a cara no fim do vídeo. rsrs! Arrasou!

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  2. Vale a pena ver o filme. Até certo ponto perdido, mas depois tudo se encaixa. Se encaixa até demais,como disse o Fred no vídeo.
    Abraços

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  3. Muito boa essa atividade!!!! E o filme nem se fala =)
    Parabéns!!!

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  4. Questões difíceis. Eu teria que assistir novamente e prestar mais atenção nestes fatos, mas creio que não podem ser considerados de arquivo se analisados isoladamente, como se encontram no filme. Mas poderiam compor um dossiê da polícia que concluiu o caso, aí sim passariam a ser documentos de arquivo... acho que não posso dizer mais, para não soltar spoilers.
    Quando assistir novamente, antentarei-me a estas questões.
    Muito legal o post!

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  5. Obs: diplomática é mais complicada numa perspectiva ufanista não?

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  6. Retificando: "esse post do RODRIGO."

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  7. Pedro, as suas questões são um tanto quanto intrigantes e demonstram que realmente vc está parando pra pensar na aplicação da diplomática no cotidiano. A gente fica super feliz em ver que está mexendo com os miolos de alguém..rss. O seu caminho de raciocínio é extremamente pertinente, não importando se esteja correto ou não. Até mesmo por que o filme mistura realidade com fantasia e,como vc mesmo disse, dá margens a tantos devaneios quanto ao que foi de fato criado e vivenciado. Achei perfeito o seu pensamento sobre o bilhetinho do 67. Ele só poderia ser de arquivo ali dentro daquele contexto de investigação. Agora o pior é compreender se o contexto foi ou não criado para ele existir. O que jogaria por água abaixo a sua autenticidade. Podendo manter a veracidade dos fatos. Foi o que vc chamou de uma maneira bem interessante de "organicidade mascarada". A sua última pergunta foi ótima: "é possível fazer uma análise tipológica disso?". De fato, é uma questão muito interessante. Foi o que também sai me questionando depois do filme. O papel que os documentos assumiriam dentro da investigação. Uma coisa que é importante mencionar dentro disso tudo é a de que a análise tipológica da Bellotto usa a FUNÇÃO ADMINISTRATIVA do documento. E isso faz com todos os registros tenham a mesma designação, mesmo inseridos em diferentes arquivos (é o que acontece quando vc observa a análise feita pelos blogs nos desafios.). Quando que na verdade o que é mais relevante à análise tipológica é a FUNÇÃO QUE O DOCUMENTO ADQUIRE DENTRO DO ARQUIVO. Por isso, o bilhetinho teria nomes distintos tanto na “VIla do Chaves” quanto no contexto da investigação. Acredito que tudo isso dá um bom debate. Estamos avaliando a possibilidade de ampliar a nossa discussão. Depois vou lá no seu blog debater. Ainda estou pensando nas questões. Muito bom. Abraços

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